[ sábado, 14 de fevereiro de 2026 ]
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Bloco Aparelhinho celebra 15 anos de carnaval em Brasília


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No início, era apenas um som eletrônico montado sobre um carrinho alegórico cruzando as ruas da cidade onde diziam que “não tinha carnaval”. Inspirado nas aparelhagens do Pará, neste sábado (14), o Aparelhinho completa 15 anos consolidado não apenas como um bloco, mas como um movimento de apropriação do carnaval de rua e ressignificação do espaço público na capital federal.

“É puro amor à cidade, às ruas da cidade, às avenidas ocupadas e coloridas; é vontade mesmo de ver o carnaval de rua acontecendo aqui”, disse o DJ Rafael Ops, um dos fundadores do bloco, em entrevista ao programa Espaço Arte da Rádio Nacional FM de Brasília, nesta sexta-feira (13).

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“Assim como uma fanfarra que toca sua flauta, seu instrumento pela rua, a gente quer sair empurrando nosso carrinho pela rua também”, contou Ops.

 


Brasília (DF), 14/02/2026 - Carnaval de rua Bloco Aparelhinho no setor bancário sul, os Djs,  Rodrigo Barat (e) e Rafael Ops (d).
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Carnaval de rua Bloco Aparelhinho no setor bancário sul, os Djs, Rodrigo Barat (e) e Rafael Ops (d) – Joédson Alves/Agência Brasil

 

O DJ explicou que o primeiro carrinho foi construído na oficina de marcenaria do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB). Na época, era estudante de artes cênicas na UnB e fez o primeiro projeto em parceria com o arquiteto Gustavo Góes.

“Ele não surgiu como um trio elétrico, como um palco, ele surgiu como um objeto empurrável que pode ocupar marquise, túnel, subir em calçada, ele vai para onde a gente imaginar. Era simplezinho, com quatro caixinhas de som ativas. Chegamos no primeiro ano sem expectativa nenhuma e tivemos um ano maravilhoso. Já de cara, a cidade amou o projeto e hoje estamos aí completando 15 anos”, celebrou.

Ao longo dos anos, o carrinho elétrico evoluiu para uma estrutura mais tecnológica e visualmente impactante com as cores do bloco: azul e laranja. Os organizadores explicaram que já teve carrinho de madeira, de ferro, foi online na pandemia, foi charrete, foi trio e já foi carreta.


Brasília 14/02/2026  -Evoluçaõ do Bloco Aparelhinho.
Foto: bloco.aparelhinho/Instagram

Evolução do Bloco Aparelhinho – bloco.aparelhinho/Instagram

Há alguns carnavais, o Aparelhinho sai às ruas com o apoio financeiro da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e, em 2026, tem cerca de 100 pessoas envolvidas na organização.


Brasília (DF), 14/02/2026 - Carnaval de rua Bloco Aparelhinho no setor bancário sul,  desainer Bruna Daibert
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Bruna defende a importância de formar novos públicos carnavalescos para que a folia possa dominar a cidade uma vez por ano – Joédson Alves/Agência Brasil

A publicitária Bruna Daibert frequenta o bloco desde a primeira edição, em 2012, e resume: “amo muito o carnaval. Enquanto o Aparelhinho sair, eu vou também”. “É o bloco em que encontro meus amigos, que a gente está em casa, que trago minha filha, que eu faço questão de vir”, disse, explicando que a filha, hoje com 16 anos, se diverte no bloco desde criança.

“Acho muito importante a gente formar esse novo público de carnavalescos, pra gente se fixar cada vez mais e o carnaval ocupar, inclusive, o meio das quadras [residenciais]”.

Bruna se referiu à disputa entre os que querem a festa popular em todos os espaços e aqueles que defendem a concentração dos blocos em lugares fixos, em razão do barulho e da sujeira.

Em 2023, por exemplo, o bloco Galinho de Brasília, um dos mais tradicionais da capital federal, cancelou o desfile diante da restrição de trajeto por quadras residenciais da Asa Sul. Hoje, o bloco de frevo se concentra no Setor de Autarquias Sul.

“Acho que a gente tem que ocupar a cidade inteira, é uma vez por ano. Deixa o carnaval acontecer, é tão bonito, tão colorido, tão feliz”, completou Bruna.

Música eletrônica

Arrastando os foliões pelo Setor Bancário Sul de Brasília, o aniversário do bloco contou com um repertório de músicas elaborado pelos DJs fundadores – Pezão, Rafael Ops e Rodrigo Barata – além dos convidados Biba e Mica e Pororoca DJs, com Emidio e Leroy. “A gente toca música do mundo”, disse Barata, também em entrevista à Rádio Nacional FM de Brasília.

Barata contou que a linguagem sonora é de base eletrônica e passa por remix de músicas dos carnavais brasileiros, dos frevos, axés, sambas-enredos, brega funk, piseiro, até rock and roll e música eletrônica de várias vertentes.


Brasília (DF), 14/02/2026 - Carnaval de rua Bloco Aparelhinho no setor bancário sul, Iago Roberto.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Iago Roberto diz que o carnaval brasiliense não o decepcionou – Joédson Alves/Agência Brasil

É o primeiro carnaval do cozinheiro Iago Roberto e a festa, para ele, não decepcionou.

“Não escuto [música eletrônica] no dia a dia, mas estou curtindo. Só a energia da galera nesse lugar já está maravilhosa”, disse.

 

Mais novo, Iago contou que priorizava o trabalho e os estudos e, após três anos morando fora do Brasil, voltou com vontade de conhecer o carnaval de rua. “Amo Brasília. Estava com expectativa alta e está atendendo”, afirmou.


Brasília (DF), 14/02/2026 - Carnaval de rua Bloco Aparelhinho no setor bancário sul, dentista Fabiana Montandon .
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Fabiana Montandon encontrou desafios nas ruas do Setor Bancário Sul – Joédson Alves/Agência Brasil

O Aparelhinho é promovido como um espaço democrático e inclusivo e também recebe foliões infantis e pessoas com dificuldade de locomoção.

Mas a dentista Fabiana Montandon encontrou desafios pelas ruas do setor bancário. “Bastante buraco na pista, a calçada não tem rampinhas pra descer e o banheiro é pseudo-acessível”. Ela acompanha o Aparelhinho há 10 anos e, neste ano, mesmo com a perna imobilizada, estava no bloco.

“Eles anunciaram que era espaço acessível e eu vim por isso. Mas a gente só se dá conta quando está nessa situação”, disse.

 

“Gosto bastante de música eletrônica, o Aparelhinho é bem diverso, toca música moderna, dos anos 80, eu adoro esse bloco”, afirmou.

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